Histórico

O nome inglês ‘cashew’ é derivado da palavra portuguesa de pronúncia similar, ‘caju’, que por sua vez provém da palavra indígena ‘acaju’. Na Venezuela o cajueiro é denominado ‘merey’, mas em outros países da América Latina é chamado ‘marañon’, provavelmente devido ao nome da região onde foi visto pela primeira vez, o estado do Maranhão, no meio norte do Brasil.

Presume-se que o cajueiro chegou em Goa, principal colônia de Portugal nas Índias Orientais, entre 1560 e 1565. Os portugueses levaram a planta para a Índia, entre 1563 e 1578. Depois da Índia foi introduzida no sudeste asiático, chegando à África durante a segunda metade do século XVI, primeiro na costa leste e depois na oeste e por último nas ilhas.

As primeiras importações de amêndoas de castanha de caju da Índia foram feitas em 1905 pelos Estados Unidos. O comércio mundial de amêndoa de caju teve início de forma efetiva depois que representantes da empresa americana General Food Corporation descobriram essas nozes durante uma missão na Índia no inicio da década de 1920. Além de embarques regulares para os Estados Unidos, pequenas consignações foram enviadas para vários paises europeus, particularmente para o Reino Unido e Holanda. Em 1941 as exportações indianas de amêndoas de castanha de caju já alcançavam quase 20 mil t. Hoje a castanha é um importante item no comércio mundial. O valor total de vendas, após agregação de valor, supera a soma de US$ 2 bilhões.

Os primórdios do cajueiro anão precoce…(*)

O cajueiro é encontrado praticamente em todos os estados brasileiros, contudo adapta-se melhor às condições ecológicas do litoral do Nordeste. Existe no País uma tradição de aproveitamento do pedúnculo ou falso-fruto do cajueiro que reside na transformação em produtos variados como sucos, sorvetes, doces diversos (compota, cristalizado, ameixa, massa), licor, mel, geléias, cajuína, refrigerantes gaseificados e aguardente. Há relatos de alguns desses produtos que datam do século XVII.

Apesar do Brasil ser o berço do cajueiro e de as missões colonizadoras encontrarem o indígena brasileiro utilizando essa espécie para diversos fins, a exploração do cajueiro com finalidade econômica, durante alguns séculos, ficou restrita ao consumo local, nas zonas produtoras. A espécie que é cultivada principalmente nos estados do Nordeste, distinguindo-se o Ceará como o maior produtor, não teve destaque na economia nordestina, e nem mesmo na cearense, antes das quatro primeiras décadas do século XX.

Até o início da década de 50, a produção de castanha (fruto verdadeiro) era essencialmente extrativa. As primeiras tentativas para estabelecer plantios de cajueiro com fins comerciais foram efetuadas no município de Pacajus, no Ceará. Nesse município, no Campo Experimental de Pacajus, então pertencente ao Ministério da Agricultura, em 1956, o governo federal instalou uma coleção de matrizes de cajueiro para pesquisa agronômica. Posteriormente, a introdução de plantas de cajueiro anão precoce nesse campo experimental, originadas de uma população natural do município cearense de Maranguape, é hoje considerada o marco histórico do melhoramento genético dessa espécie.

O melhoramento utilizado no cajueiro anão precoce no Brasil teve início em 1965 no Campo Experimental de Pacajus (veja tópico a seguir). Constou de uma seleção fenotípica individual seguida do controle anual da produção nas plantas selecionadas. Essa metodologia, embora simples e de ganhos genéticos esperados reduzidos, permitiu o lançamento comercial dos clones CCP 06 e CCP 76, em 1983, e CCP 09 e CCP 1001, em 1987, que são ainda os principais clones comerciais disponíveis.

O berço do cajueiro anão precoce

A história do cajueiro anão precoce está relacionada com a existência do Campo Experimental de Pacajus, criado em 1956, no Ceará. O Campo pertenceu aos extintos Instituto de Fermentação e IPEANE (Instituto de Pesquisa e Experimentação Agropecuária do Nordeste), subordinados ao DNPEA (Departamento Nacional de Pesquisa Agropecuária), do Ministério da Agricultura. A partir de 1974, o campo passou a integrar o sistema Embrapa que o cedeu em comodato a extinta Epace (Empresa de Pesquisa Agropecuária do Ceará) até 1987 quando foi criado o Centro Nacional de Pesquisa do Caju, hoje denominado Embrapa Agroindústria Tropical. Apesar da sucessão de responsáveis, o Campo Experimental de Pacajus foi o berço do cajueiro anão precoce ao longo de toda a sua história.

As primeiras plantas

O engenheiro agrônomo Esmerino Gomes Parente, membro do Ministério da Agricultura e fundador do Campo Experimental de Pacajus, deu o primeiro passo. Ele introduziu no Campo Experimental, em 1956, um total de 36 plantas de cajueiro anão (lote 6), coletadas no sítio Furnas, na cidade de Maranguape (CE). Segundo o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical Levi de Moura Barros, é provável que esse material tenha vindo da Amazônia.

As primeiras pesquisas

A partir do lote de 36 plantas introduzido no Campo Experimental, o engenheiro agrônomo José lsmar Girão Parente iniciou, em 1965, um trabalho de seleção e estudo de aspectos morfológicos e fenólogicos das plantas de cajueiro anão. Esse estudo resultou na identificação de três matrizes consideradas com características favoráveis para porte, precocidade e produção. Em 1969, ele realizou um trabalho de multiplicação de plantas. A partir de uma planta selecionada dentre as 36 existentes, aumentou-se a população para 360 plantas.Em 1975, começou um trabalho de melhoramento genético do cajueiro comum. Conduzido pelos pesquisadores da Embrapa Levi de Moura Barros e Vicente Maia Lima. O estudo não levou em consideração o potencial do cajueiro anão que era utilizado apenas como porta-enxerto para o cajueiro comum.

O melhoramento genético do anão precoce

O programa de melhoramento genético teve início em 1978 e permanece em execução até hoje. “Havia dois caminhos a percorrer: ou trabalhávamos durante 30 anos para obter um clone do cajueiro anão precoce com características ideais, ou lançávamos clones melhorados, periodicamente, num programa constante de melhoramento, descreve Levi de Moura Barros.” Foi então que a Epace (Empresa de PesquisaAgropecuária do Ceará) – extinta no final da década de 90 – lançou os primeiros clones de cajueiro anão precoce (CCP 76 e CCP 06), frutos do trabalho de melhoramento genético da equipe coordenada por Levi de Moura Barros. O CCP 76 ainda hoje é o clone mais plantado no Brasil, tanto em regime de sequeiro como fertirrigado. Sua expansão teve aumento significativo nos anos 90, tendo em vista que havia um trabalho articulado nacionalmente. Hoje o cajueiro anão precoce vem sendo cultivado nos estados do Ceará, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Pernambuco, Bahia, Pará, Tocantins, Mato Grosso e São Paulo, sendo conhecido no mundo inteiro pela sua precocidade e alta produtividade.

AGRADECIMENTO:

Agradecemos à Embrapa Agroindústria Tropical, especialmente ao seu Chefe Geral Dr. Vitor Hugo de Oliveira, pelas informações cedidas através do site www.cajucultura.com.br, que enriqueceram a fonte de informações do Instituto Caju Nordeste.